Publicado hoje na BioScience, o Plano de Recuperação de Emergência pede ao mundo que tome medidas urgentes para enfrentar as ameaças que levaram a um colapso de 83% nas populações de espécies de água doce e à perda de 30% dos ecossistemas de água doce desde 1970 – ecossistemas que nos oferecem água, comida, meios de subsistência e proteção contra cheias, secas e tempestades.
O plano de seis pontos dá prioridade a soluções baseadas em ciência de ponta e que já provaram ser bem-sucedidas: deixar os rios correr sem intervenção humana, reduzir a poluição difusa causada pela agricultura intensiva, proteger habitats críticos de zonas húmidas, acabar com a sobrepesca e a mineração insustentável em rios e lagos, controlar espécies invasoras e salvaguardar e restaurar a conectividade dos rios – que passa por remover barreiras obsoletas e evitar a construção de novas barragens, apostando na reutilização e uso eficiente da água como principal origem para os nossos consumos.
“Este último ponto e a redução da poluição são de facto fundamentais na realidade do nosso país”, afirma Afonso do Ó, especialista em Água na ANP|WWF, acrescentando ser “fundamental ao nosso Governo e ARHs seguirem as medidas recomendadas neste Plano de Recuperação de Emergência, que se forem seguidas irão transformar a gestão e saúde dos rios, lagos e zonas húmidas”.
Criticamente, com os governos mundiais a reunir em novembro de 2020 para discutir um novo acordo global para conservar e restaurar a biodiversidade numa conferência histórica da Convenção sobre Diversidade Biológica, os autores do Plano recomendam novas metas, incluindo a renaturalização dos rios e a redução da poluição difusa.
“Em nenhum outro sítio a crise da biodiversidade é mais aguda do que nos rios, lagos e zonas húmidas de todo o mundo – com mais de um quarto das espécies de água doce a caminharem para a extinção. O Plano de Recuperação de Emergência pode travar este declínio que já dura décadas e restaurar a vida dos ecossistemas de água doce, que sustentam a nossa sociedade e economias”, afirmou Dave Tickner, Conselheiro Chefe em Água da WWF-UK e principal autor do artigo.
“Todas as soluções no Plano de Recuperação de Emergência foram testadas: elas são realistas, pragmáticas e funcionam. Estamos a pedir aos governos, investidores, empresas e comunidades que priorizem a biodiversidade da água doce – muitas vezes negligenciada pelo mundo da conservação e gestão da água. Agora é tempo de implementar estas soluções, antes que seja demasiado tarde”, afirmou James Dalton, do Programa Global de Água da IUCN.
“Temos a última oportunidade de criar um mundo com rios e lagos mais uma vez repletos com vida selvagem, e com zonas húmidas suficientemente saudáveis para sustentar as nossas cidades e comunidades – mas só se pararmos de tratá-los como esgotos e aterros”, afirmou Tickner.
Para Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF, “esta década vai ser crítica para a biodiversidade da água doce: todos os países devem agarrar a oportunidade de manter os nossos sistemas de suporte de vida a funcionar, ao assegurarem que a conservação e restauro da água doce são centrais para um Novo Acordo para a Natureza e as Pessoas.”
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